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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

LENDAS URBANAS - ITAIPU

Este artigo, a exemplo do anterior, tem por finalidade desmantelar uma mentira que corre boca a boca. Milhões de pessoas acreditam que há homens enterrados no concreto que compõe a usina de Itaipu.
A barragem de Itaipu é uma das maravilhas da modernidade, um orgulho binacional de Paraguai e Brasil, ela possibilita a maior geração hidrelétrica do mundo. A usina custou 20 bilhões de dólares, chegou a 30 mil trabalhadores simultâneos no auge de sua construção e consumiu 15 vezes mais concreto que o túnel do canal da mancha (entre França e Inglaterra), perfazendo um total de 12 milhões de metros cúbicos.
Com tanta gente trabalhando, em décadas (1970 e 1980) nas quais se aplicava menor previsão de acidentes de trabalho e contando com tecnologia e maquinário inferior aos atuais, muitas mortes ocorriam no canteiro de obras.
Um perfeita conjunção de fatores para criar e expandir a lenda que “há inúmeros corpos enterrados no concreto da barragem de Itaipu”. É fácil acreditar na falácia que mediante à pressa, em desvalor ao ser humano, aqueles que caíam eram concretados pois a obra não teria como parar. Tremenda bobagem, enorme mentira!
Para lhes provar que a crença não sucede, vou recorrer a uma fábrica de gelo. Para os leigos pode soar estranho, mas no canteiro de obras de Itaipu ocorria a fabricação deste material para adicioná-lo ao concreto.
Acontece que o cimento (indispensável) reage, ou seja, endurece, ao entrar em contato com a água, nesta reação química, que libera boas quantidades de calor, o concreto se expande e em seguida, devido ao esfriamento retrai, deixando micro bolhas que acabam comprometendo o resultado final de uma obra.
Em uma comparação grosseira, porém didática, é como os furinhos de um queijo mineiro ou as bolhas de ar de um bolo.
A atitude de misturar gelo na produção, tem como finalidade que o calor expelido pelo cimento tenha seu efeito minorado, diminuindo em muito a presença de bolhas na massa endurecida, o que reforça o concreto e eleva a qualidade final da barragem.
Se micro bolhas eram indesejáveis, imagine a presença de cadáveres! As mortes ocorriam sim, foram pelo menos 132, a maioria por acidentes e algumas por suicídio. Quando se dava a tragédia, paravam a concretagem, retiravam o corpo, mesmo sob grande dificuldade, e aí sim, prosseguiam.
15% da demanda do Brasil, quase toda a do Paraguai, um projeto audacioso, indispensável ao modo de vida que levamos, sua grandiosidade atrai mais de 500 mil visitantes por ano.
Se Itaipu nos remete a essa falsa lenda que aqui desmentimos, por outro lado nos trás lembrança de um Brasil que tinha um mínimo de visão de futuro, uma época em que o empreendedor era mais forte que o marqueteiro.

2 comentários:

  1. Todos que trabalham em construção civil sabemos que realmente trabalhadores cairam e como não era possível retirá-los, continuavam a derramar concreto.
    Conheci várias pessoas que trabalharam e viram esses tipos de acidentes.

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  2. Não só caíam, como também pulavam para cometer suicídio.

    No entanto, por mais que custasse ou demorasse, era necessário, ou melhor, obrigatório que se retirasse os corpos.

    Se não podia haver micro bolhas no concreto pois comprometeria a qualidade da obra, imagine o espaço (e o estrago) que surgiria com a decomposição de um corpo humano ali deixado.

    Portanto, não acredite nessa lenda urbana.

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